Tendência “slow fashion” no pós-pandemia

A pandemia trouxe mudanças nos hábitos do consumidor e a grande sacada da moda dentro deste período tão conturbado na vida de todos, foi, sem dúvida, o fortalecimento da tendência de consumo consciente, chamada de “Slow Fashion”, que pede uma moda lenta, que respeite o tempo de construção de cada peça, que valorize a mão-de-obra e o artesanato, que preze pelo meio ambiente e descarte responsável das roupas .

Na pandemia começamos a olhar de outro jeito e conseguimos enxergar bem melhor que antes. Fomos entupidos de informações pela internet, com muitas lives a respeito de vários assuntos e uma das teclas que mais bateram foi a da sustentabilidade e, de repente acordamos (estávamos todos dormindo?) e nos ligamos que a moda precisava ser repensada mais do que nunca, afinal, a indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo.

Em plena pandemia levantamos a bandeira da revolução com o slow fashion, pedindo uma moda lenta, responsável e sustentável, em oposição à produção e consumo desenfreado do fast fashion (sistema de produção que prioriza a fabricação em massa em rápida escala, com crescimento infinito).

Tempo para saborear a roupa

O slow fashion apontou uma oportunidade na moda pós-pandemia, segundo a holandesa Li Edelkoort, da agência de tendências Trend Union, em entrevista à revista Dezeen. Em 2015 quando nem imaginávamos um mundo com pandemia, ela já previa uma mudança ao escrever o manifesto “Anti-Fashion”, afirmando que “a moda estava fora de moda” com sua produção acelerada e desenfreada com foco apenas no crescimento das vendas, com designers sem aprofundamento nas propriedades e qualidades dos materiais que compunham a roupa, promovendo desta maneira, preços baixos e trabalho escravo. Segundo Li, o consumidor não tinha tempo de saborear a roupa, comprando de forma descartável e assim acabando com a cultura da moda.

Consumidores mais conscientes

No Brasil atual são produzidas cerca de 8,9 bilhões de peças novas por ano, equivalentes a 42,5 peças por habitante. O dado do Relatório Fios da Moda, revela o quanto temos sido consumistas até aqui. O montante de lixo, segundo o Sebrae, é de 170 toneladas de resíduos têxteis durante 12 meses, sendo que 80% do material é destinado a lixões e aterros sanitários. Por outro lado, os consumidores estão mais conscientes. Segundo estudo do Instituto Akatu, 46% dos brasileiros evitam embalagens de plástico e a maior parte está disposta a pagar mais caro por produtos de empresas que realizam algum tipo de trabalho que impacta positivamente a sociedade ou o meio ambiente. Outro dado importante levantado é que os brasileiros buscam fazer parte da causa da moda consciente e encontram oportunidade através das marcas. Um dado super interessante é que apenas 11% não sabem o que é sustentabilidade.

E o Slow Fashion? De onde surgiu?

O termo slow fashion criado pela pesquisadora inglesa Kate Fletcher em 2007, pede calma, pausa e um novo jeito de viver a moda, onde as palavras-chaves são reinvenção, novos processos, criação consciente, valorização do artesanato, do tempo real para a produção de cada peça, da mão-de-obra local recheada de valores culturais e do toque humano, a história das roupas ganhou destaque e muitos começaram a se perguntar “como foram feitas minhas roupas”, apoiados pelo movimento “Fashion Revolution”. É a revolução da moda. Nada mais será como era antes, porque os consumidores, designers e fabricantes estão entendendo que mais do que luxo, a tendência slow fashion busca o conforto, o aconchego e o bem de todos que participam da cadeia produtiva. Pede o consumismo consciente, valorização das roupas, assim como final da vida responsável, com doação ou envio para a reciclagem.

Marcas mais responsáveis

A moda devagar foi adotada por muitas marcas e este é apenas o início de uma longa jornada. Temos as marcas PH Básico, Gaia, Meraki e Naturalãna, da fronteira gaúcha, empenhadas no processo de criação que aposta em pequenas confecções, costureiras locais e artesãs para confeccionar suas roupas. Pelo Brasil à fora muitas marcas estão abraçando este novo modo de fazer moda, como a Arvo, Euzaria, Insecta Shoes, Timirim, Florita Beachwear, Tribo Meraki e Osedire, entre tantas outras que valem à pena seguir nas redes sociais e apoiar, adquirindo seus produtos.

PH Básico

https://www.instagram.com/phbasicobrand/

A PH Básico preza pelo conforto em blusas básicas, feitas em algodão, sem perder o estilo e a beleza de cada peça. A confecção das roupas é acompanhada de perto, cuidando da qualidade e do não desperdício de material têxtil.

Gaia

https://www.instagram.com/gaia.moda_/

A Gaia valoriza artesãs locais, resgatando a arte do bordado em algumas peças. A marca não utiliza embalagens plásticas, que foram substituídas por sacolinhas reutilizáveis feitas em tecidos. As tags são feitas em papel semente, que germinam mudas de plantas, como alecrim e agrião.

Meraki

https://www.instagram.com/usemeraki/

A Meraki aposta na confecção das peças valorizando as costureiras local e todas as etapas da construção de uma roupa. Faz uma moda além do convencional, com o lema “faça a sua moda, vista as suas ideias”, defendendo a liberdade de cada mulher usar o que lhe faça sentir bem.

Naturalãna

https://www.instagram.com/naturalana.rc/

A Naturalãna trabalha com a lã de ovelha, fibra 100% natural e matéria-prima abundante na fronteira gaúcha. As peças artesanais são feitas com a lã na sua cor própria e também com tingimento natural.

São muitas as marcas, não apenas no Brasil, que estão criando moda responsável. O mais bacana é que dentro dos cursos de moda as disciplinas estão focando na sustentabilidade, formando designers preocupados com o meio ambiente. Mesmo ativando o modo “slow fashion” o processo de transformação social através da moda ainda vai levar um tempo, mesmo com o fim da pandemia. O importante é que estamos saindo do modo de consumo automático e começando a refletir – bem mais que antes – sobre consumismo consciente. Não devemos NUNCA MAIS, eu disse “nunca mais” deixar de fazer esses questionamentos: “Como minhas roupas foram feitas?”, “De onde vieram minhas roupas?”, “A empresa que produziu minhas roupas tem conhecimento sobre impacto positivo no mundo?”.

Como citei anteriormente, não são poucas as marcas que seguem a tendência slow fashion, focadas na moda humanizada, leve e sustentável. Compartilho links de marcas citadas neste post. Siga sem medo de errar:

https://www.instagram.com/arvo.store/

https://www.instagram.com/euzaria_/

https://www.instagram.com/insectashoes/

https://www.instagram.com/timirimbrasil/

https://www.instagram.com/floritabeachwear/

https://www.instagram.com/tribomeraki/

https://www.instagram.com/osedireosedire/

Por Giovana Petrocele